ESTREIA DO FILME:
Parto Natural Humanizado do JJ

Inscreva-se para assistir ao filme de graça.
O QUE VOCÊ ACHOU DESSE VÍDEO?
1
Clique em "Curtir" e seja notificado no Facebook quando eu postar mais videos.
2
Inscreva-se e seja notificado no YouTube quando eu postar mais videos.
3
Deixe sua dúvida ou comentário!
Adriane Zimerer
SOBRE O TEM BEBÊ AQUI
O IG @tembebeaqui tem 11 mil seguidores no instagram. A conta foi criada com o intuito de mostrar o dia a dia da grávida de primeira viagem, a jornalista Adriane Zimerer, vivenciando o maior desafio da vida dela: a maternidade. Adriane tentou engravidar por dois anos e meio. Conseguiu de maneira natural. Foi uma grávida fit, treinou até o último dia da gestação. Seu propósito passou a ser ajudar mulheres em fase de transição, quando a mulher deixa de ser apenas mulher e se torna mãe, oferecendo informação para que, quando emponderadas, tomem melhores decisões e consigam viver uma maternidade leve.

Tantas descobertas e transformações já não cabem apenas em alguns caracteres do instagram. Suas histórias precisam de um espaço maior. Por isso, o blog Tem Bebê Aqui foi lançado. Todos os dilemas da maternidade serão abordados por mães e especialistas da área. E para comemorar o lançamento do blog, liberamos a veiculação do filme de uma das partes mais emocionantes da vida da jornalista: o nascimento do seu filho JJ (João Joaquim).

O vídeo resume um trabalho de parto de 20 horas em 20 minutos de duração e mostra o emocionante nascimento de uma mãe e de um bebê, através do parto natural humanizado.

#relato do meu parto

Imagem
CAPÍTULO 1
João da Silva
Domingo - 08/02/15
11h - Essa foto foi tirada após o treino na academia, meu último com o barrigão de 40 semanas e dois dias. Me orgulho em dizer que treinei até o último dia de gestação. Estava ativa, sem dores e me sentindo ótima, mas não sei como estava aguentando o peso da barriga.

Nesse dia acordei, fui pra academia e quando cheguei me deu um sono absurdo, coisa que eu não sentia há tempos. Tirei um cochilo, depois almocei e fui pra piscina. Depois, o sono voltou com tudo. Eu não tinha força nem pra me mexer no sofá direito. Falei com meu marido que aquela prostração estava me deixando preocupada. Achei que a pressão devia estar baixa e tal, mas não fui ao hospital. Aproveitei para dormir e relaxar.

20h - Meu marido me chamou para ver um filme e comer uma pizza, mas em casa mesmo. Bom, no meio do filme eu senti algo querendo sair de mim e fiz uma forcinha, achando que eram gases, mas de repente senti uma bolha d'água querendo passar pela minha calcinha e falei para meu marido que algo estava acontecendo ali. Ele perguntou assustado: "o que foi, o que foi"? E eu disse: acho que a bolsa estourou.

22h45 - A bolsa estourou! Pedi ajuda para meu marido me levantar do sofá e corri para o banheiro. Ao chegar lá, desci a calcinha e o líquido com tom vermelho e verde caiu no chão. Para tudo! Que emoção! Não acreditei que havia chegado a hora. Fui contagiada por uma alegria infinita.
Meu marido ficou sem saber o que fazer, meio nervoso, ansioso, e me chamou para continuarmos assistindo ao filme. Mas, ah tá, eu ia ficar ali vendo filme sabendo que meu filho estava pra chegar? Claro que não, né!
CAPÍTULO 2
João da Silva
Domingo - 08/02/15
22H45 - "Boas notícias", foi o que eu disse à doula ao mandar uma mensagem para ela no momento em que a bolsa estourou. Ela pediu para que eu colocasse uma toalhinha entre as pernas para poder acompanhar a cor do líquido, que estava saindo meio verde, meio vermelho e com uma secreção meio gelatinosa junto, ou seja, o tampão mucoso havia saído também.

O líquido amniótico estava verde clarinho, portanto, havia um pouco de mecônio nele, que são as fezes do bebê. Mas como o líquido estava bem claro, não havia nenhum problema. Minha doula disse que o trabalho de parto poderia começar em seguida ou demorar até alguns dias para iniciar e recomendou que eu fosse descansar. Imagina, eu, descansar?

Larguei o marido no sofá, assistindo ao filme, e disse a ele que iria me arrumar. Já tinha tomado banho, mas resolvi arrumar o cabelo e fazer uma maquiagem, afinal queria me arrumar para a chegada do meu filho! Enquanto eu me maquiava comecei a sentir umas cólicas fraquinhas. Era o início da fase latente.

A fase latente é um momento do trabalho de parto em que é muito cedo para ir para a maternidade, pois as dores são suportáveis e o casal está em casa, se preparando para a chegada do bebê. Muitos casais aproveitam para se reconectar, se abraçam, se beijam e, até mesmo, fazem amor (se a bolsa ainda não tiver rompido), pois este processo libera ocitocina - o hormônio do prazer, do amor - que é tão importante para o trabalho de parto. Essa fase pode durar vários dias, portanto, há casais que se programam para passear, assistir filmes, ir ao mercado.
Se a mulher conseguir dormir para poupar energia é ótimo, mas muitas mulheres ficam elétricas e sentem até vontade de limpar a casa. Mas na minha cabeça passavam mil coisas. E eu não tinha medo do que estava por vir, pelo contrário, eu queria sentir cada coisa. Estava eufórica. Assim que acabei de me arrumar, vesti meu top preto e um shortinho.
CAPÍTULO 3
João da Silva
Segunda - 09/02/15
00H51 - Pedi ao marido para começar a contar as contrações através de um aplicativo. Eu lá do quarto dizia “contraçãooo" e ele da sala apertava o botão do celular. Percebemos que elas estavam vindo a cada oito minutos e duravam cerca de um minuto e quarenta segundos. A dor incomodava, mas parecia uma cólica de menstruação forte. O líquido da bolsa não parava de sair e tive que trocar de absorvente várias vezes. Juntei todos no banheiro para que pudéssemos acompanhar a evolução da cor. Enquanto isso, fui conferir se estava tudo certo dentro das malas, juntei as coisas que faltavam, como umas velas que eu queria levar para o hospital e organizei as câmeras fotográficas que iriam para a maternidade.

01h51 - Fui até o quarto peguei a filmadora e pedi ao meu marido que gravasse um depoimento do que eu estava sentindo naquele momento. Lembro-me de estar muito emocionada e com um pouco de sono. Nisso, as contrações já estavam bem doloridas, mas ainda totalmente suportáveis.

Meu marido acabou de assistir ao filme, subiu para o quarto, fez a barba, colocou uma muda de roupa na mala e disse que ia dormir. Fomos para a cama. Assim que deitamos, percebi que seria impossível dormir, pois cada contração que vinha eu me contorcia. Então, pedi a ele que pegasse a bola de pilates para eu poder fazer os exercícios para alívio da dor. Liguei a luminária, coloquei as músicas que eu havia separado na playlist, coloquei a essência no difusor e peguei meu livro de cabeceira "Parto Ativo" para relembrar as posições que me ajudariam a amenizar a dor e para acompanhar as transformações que estavam acontecendo no meu corpo naquele momento.

Nos intervalos, meu marido tentava dormir. Gente, ele tem um poder incrível de conseguir dormir em qualquer momento ou situação da vida. Enfim, ele precisava também, pois o que estava por vir iria exigir muita energia dele.
CAPÍTULO 4
João da Silva
Segunda - 09/02/15
4h - Toda vez que vinha uma contração eu gemia, meu marido acordava e registrava no celular. A dor estava ficando cada vez mais forte. A frequência das contrações não estava totalmente ritmada, mas elas estavam muito mais intensas. Entre uma e outra não sentia dor e conseguia ler o livro “Parto Ativo".

A cena era a seguinte: ele deitado na cama e eu sentada na bola na lateral da cama. Quando a contração vinha, eu segurava as mãos dele e jogava meu corpo para trás e vocalizava, respirando e soltando o ar, mandando-o para o baixo ventre, emitindo um som de “aaaa".

5h30 - Começamos a discutir se já era hora de falar com a doula novamente. O último contato havia sido às 23h30. E aí sempre vem a pergunta: quando é a hora de chamar a doula? Quando o casal quiser. Nós não achamos que era necessário até as contrações começarem a ficar ritmadas, de três em três minutos, com duração de quase dois minutos. Porém, nesse ponto já é recomendado ir para o hospital, pois é necessário ouvir os batimentos cardíacos do bebê. Então, meu marido fez contato, contou o que tinha acontecido durante aquelas quase sete horas de fase latente e os dois acharam melhor que nos encontrássemos no hospital, pois havia chegado o momento de ir para a maternidade. Havia iniciado a fase ativa do trabalho de parto.

TRABALHO DE PARTO
O parto pode ser dividido em três períodos: o primeiro é o de dilatação ou abertura do colo do útero até a dilatação total; segue-se o período expulsivo ou segundo período, até o nascimento do seu filho; o terceiro período se estende desde o primeiro contato que você tem com o seu bebê até a eliminação da placenta.

O trabalho de parto inicia quando o colo do útero começa a dilatar. Porém, esse início pode acontecer de diferentes maneiras:
1- saída do tampão mucoso; 2-rompimento da bolsa; 3-dor contínua na região lombar; 4-diarreia; 5-frio e tremores; 6- contrações, o sinal mais concreto de que o trabalho de parto começou.
CAPÍTULO 5
João da Silva
Segunda - 09/02/15
06h - Ainda era noite lá fora e eu havia começado a tremer! Já era hora de me arrumar pra ir pra maternidade. Havia deixado meu vestido separado. Meu marido pedia para que eu me vestisse, mas comecei a listar as coisas que precisavam ser levadas para o hospital. Isso era um sinal de que eu ainda não havia me desconectado. Coloquei a roupa, me olhei no espelho e, apesar da cara de acabada, ouvi do meu amor: "tá linda"! Naquele momento, tive mais uma contração e me joguei em seus braços. Pendurei-me no seu pescoço e disse que não ia conseguir. Ele falou que eu era forte e que havia mais de cinco mil pessoas torcendo por mim (vocês do insta).

06h30 - O dia começava a clarear. Foram 15 minutos até chegar à maternidade. Mas pareceram 30. Durante o percurso, as contrações vieram e me fizeram contorcer. Ao chegar à maternidade, minha doula, Marina Peronti, veio me receber no carro e ao vê-la dei-lhe um forte abraço e comecei a chorar. Estava emocionada. Havia chegado a hora. Tudo que havíamos “ensaiado” estava acontecendo. E as contrações vinham uma atrás da outra. Tudo indicava que estava próximo do final.

06h40 - Ao entrarmos no quarto a enfermeira perguntou se podia fazer o exame de toque. Eu perguntei se ia doer e quando ela disse que incomodaria, eu falei que não queria. Mas por ter saído um pouco de mecônio no líquido, a enfermeira convenceu-me de que seria melhor examinar e eu topei. Ao dirigir-me à cama, mais uma contração e dessa vez eu disse: “não, mais uma não”. E a Marina disse: “Dri, deixa vir, deixa vir”. Isso era um sinal de que eu ainda não estava entregue.

06h50 - Eu não queria fazer o exame de toque, porque no fundo eu tinha medo de ouvir que estava com menos de cinco centímetros de dilatação. Isso significaria que haveria muito trabalho ainda pela frente. A enfermeira veio, examinou, olhou pra mim, fez uma pausa e soltou “você está com UM centímetro de dilatação”. Não preciso nem dizer o que passou pela minha cabeça: "fu***".
CAPÍTULO 6
João da Silva
Segunda - 09/02/15
7h - Minha doula tentava me tranquilizar dizendo que um centímetro não significava nada, pois eu estava evoluindo bem. A questão era decidir se ficaríamos na maternidade ou se voltaríamos para a casa. Optamos por ficar ali.

Foi feito o exame indolor de cardiotocografia. Tive que ficar com uma cinta na barriga por 20 minutos, que monitorava se estava tudo funcionando direitinho lá dentro da barriga. Enquanto eu fazia o exame só passava uma coisa pela minha cabeça: eu precisava relaxar. Precisava me entregar às contrações, deixar que elas viessem e pensasse que era uma a menos. Fui preparando minha cabeça para aquilo. E logo percebi que eu estava entrando na partolândia.

PARTOLÂNDIA
Para um parto normal ocorrer da melhor maneira possível é necessário ter um ambiente favorável a isso. Nós precisamos nos sentir seguras, confiantes, confortáveis e ter privacidade. Um ambiente hospitalar normal pode inibir o trabalho de parto. Como escolhi ficar no quarto para parto humanizado,a estrutura me deixava muito segura e tranquila.

Mas a partolândia não é um lugar, é um estado mental alterado. Quando entramos na partolândia, nos desconectamos de tudo ao nosso redor e nos mantemos conectada somente com o que está acontecendo com nosso corpo. Para isso, algumas mulheres sentem vontade de evacuar, de arrotar ou de vomitar, como foi o meu caso. Ao colocar tudo para fora, você está se libertando da vergonha, do pudor.

Fechei os olhos e quase não os abri mais. O tempo se perdeu pra mim. Adotei posições sem inibições, tudo para que eu pudesse encontrar a melhor maneira de amenizar a dor e facilitar a descida do bebê. Os gemidos, as posições e a nudez lembram, muitas vezes, uma cena do ato sexual. Por isso, é importante ter um equipe que te deixe a vontade e que NUNCA iniba suas atitudes naquele momento. Essas pessoas também devem estar prontas para te apoiar quando os medos aparecerem. Eu achava que ia morrer em algumas horas. A doula e meu marido me tranquilizavam a todo momento.
CAPÍTULO 7
João da Silva
Segunda - 09/02/15
7h30 - Recebi a primeira visita do meu médico, o Dr. @rogerio_g_lima . Ele disse que o exame estava ótimo, que o bebê mexia bastante e explicou o motivo das fortes dores. Disse que quando rompe a bolsa diminui o volume do útero e as contrações vem mais fortes.

Bom, eu já estava na partolândia, tentando encontrar a melhor posição para ficar. Usei todas as dependências do quarto: cama, sofá, chão, espaldar, chuveiro. Meu marido e minha doula se alternavam para cuidar de mim. Depois que me entreguei às contrações, parecia que estava mais fácil, mas só parecia. A dor era real, mas o sofrimento opcional. Eu havia me preparado tanto para aquele momento, eu só precisava de tranquilidade para lidar com ele. Isso é fundamental para a evolução do parto.

10h30 - Após uma das contrações, eu vi uma mancha de sangue na toalha. Fiquei muiiiiiito feliz! Era sinal de que o colo do útero estava dilatando bem. O trabalho de parto estava avançando e rápido.

11h40 - Pedi para entrar na banheira. Precisava relaxar um pouco. E como relaxa! Meu Deus, é impossível ter um parto normal sem água quente. Aliás, sem bola também não dá. Sem doula também não. E sem marido, nem pensar, rs!

12h41 - Meu médico veio me visitar pela segunda vez. Foi se certificar de que eu estava me alimentando e me mexendo bem. Ficar na posição horizontal e em jejum ajuda a diminuir a frequência cardíaca do bebê, pois ele precisa de energia e de ajuda da gravidade para ir descendo. Eu não tinha fome alguma, mas meu marido levou alguns alimentos e foram me dando água, açaí, mel, polenguinho e banana. Foi o que consegui engolir. Após seis horas na maternidade e quase 14 horas após o início de tudo, já era possível perceber que a cabeça do JJ estava bem lá em baixo.

13h45 - Comecei a sentir vontade de fazer força. Era uma sensação nova, involuntária. A contração vinha, eu empurrava e gritava. De dentro da banheira, de olhos fechados, eu pedia ajuda a Deus!
CAPÍTULO 8
João da Silva
Segunda - 09/02/15
14h - A todo momento a enfermeira entrava e conferia os batimentos cardíacos do bebê. A cada contração meu marido me erguia da banheira pelos braços para que eu pudesse fazer força e ajudar o bebê a descer.

15h - Mas algo parecia estar errado. Eu estava sentindo uma dor contínua. E não era para ser assim. A dor aparece somente durante as contrações, mas a minha não passava e eu não estava conseguindo nem respirar. Eu precisava de um tempo, pois parecia que ia enlouquecer. Puxei uma oração, rezei um "Pai Nosso" e todos me acompanharam. Logo em seguida decidimos mudar de situação e saí da banheira.

15h30 - Eu comecei a pirar. Na minha cabeça, eu bolava várias estratégias pra fugir dali. Havia chegado a “hora da covardia”. O termo é conhecido no parto humanizado, pois nesse momento as mulheres duvidam de si e chegam até a pedir pela cesária, que foi o meu caso. Mas meu marido sabia que essa hora chegaria e nós havíamos combinado dele não apoiar esse pedido, a menos que realmente fosse necessário. Mas o motivo da minha dor absurda era outro.

Minha doula percebeu que eu não havia feito xixi desde que havia chegado ao hospital. Já haviam se passado nove horas sem urinar. Era para a equipe de enfermagem ter verificado isso, mas ninguém se atentou. Comecei a tentar fazer, mas não conseguia. Fui entrando em pânico. Foi então que perceberam que eu estava com bixigoma, ou seja, com a bexiga super cheia.

16h25 - Já que eu não consegui urinar, o jeito era passar uma sonda. Eu comecei a implorar para que fizessem isso rápido. Eu não sabia, mas isso estava impedindo que o JJ nascesse. Imagina, ele já podia ter nascido a essa hora. Mas enfim, foi passada a sonda para retirar a urina e verificaram que havia 800 ml de urina. É muita coisa, gente! Por isso, a dor estava insuportável.

17h - Demorou um pouco para que a dor aliviasse. Voltei para a banheira e aí sim, tudo começou a parecer com o parto que eu havia imaginado.
CAPÍTULO 9
João da Silva
Segunda - 09/02/15
17H30 - "Era a hora esperada, íamos nos conhecer. Vou olhar em sua alma e amar-te ainda mais, agora quero ver você nascer, agora somos eu e você!" A música “Nascer”, da Isadora Canto, tocava repetidamente. Ela estava na playlist separada para o parto.

Minhas mãos seguravam forte um lençol preso no teto do quarto. Eu me apoiava nele para me movimentar na banheira e também o usava para puxá-lo com força quando vinha uma contração. Enquanto isso, preparavam tudo para a chegada do JJ. Colocaram as velas em volta da banheira. Fecharam as persianas, reduzindo a claridade. Meu marido estava atrás de mim e a equipe de enfermagem estava a postos. Sentada na banqueta meia lua, eu podia ver a evolução do parto através de um espelho que ficava dentro da banheira. Meu médico chegou, logo depois o pediatra também.

18h30 - Faltava muito pouco. Mas estava demorando demais.
A cabeça do JJ estava quase saindo, mas uma cãibra atrapalhou tudo. Eu estava há tanto tempo naquela posição, que as pernas falhavam. Eu sentia queimando lá em baixo, o tal do “anel de fogo”. Os batimentos cardíacos do JJ haviam começado a diminuir um pouco.

Eu precisava empurrar com toda força ou senão meu médico teria que fazer uma episiotomia. Eu achava que não ia conseguir. Mas juntei todas as forças do mundo. Foi uma hora de fase expulsiva, uma hora para passar só a cabeça. Mas o corpinho saiu na contração seguinte.

Meu médico o segurou na água e me entregou. Às 18h40, ele nasceu. Eu disse: "Filho, filho! Ai meu Deus, é meu filho! Oi João! Deus, obrigada! Seja bem-vindo, João Joaquim! Mamãe te ama!" Ficamos ali uns 10 minutos admirando nosso bebê. JJ nasceu sem vérnix, lindo e não chorou na hora. Após parar de pulsar, foi o papai que cortou o cordão umbilical. Enquanto eu saía da banheira, o pediatra aproveitou para examinar o bebê. Depois foi colhido o sangue do cordão umbilical. Estávamos na última parte do parto, já completando 20 horas do início, mas faltava parir a placenta. Aí tivemos uma surpresa.
CAPÍTULO 10
João da Silva
Segunda - 09/02/15
18h40 - Eu estava completamente emocionada, mas também um pouco aérea. Não conseguia perceber bem cada detalhe do meu filho. Afinal, estava exausta. Enquanto o papai ajudava a colocar a roupa no bebê, meu médico tratou de seguir com o terceiro estágio do parto: me fazer parir a placenta. Deitada na cama, sentia umas cólicas fracas.

Meu médico segurava a parte do cordão umbilical que estava conectada à placenta, aguardando que ela se desprendesse do útero. Enquanto isso, meu bebê voltou para meus braços e o coloquei no meu seio.

E foi enquanto o JJ treinava para se alimentar que senti aquela forte contração. Fiz força e pari a placenta com meu filho nos braços, exatamente uma hora após ele nascer. Mas após isso, tive uma hemorragia, pois meu útero não contraía. Tal fato ocorreu, provavelmente, devido ao longo trabalho de parto. Mas o Dr. Rogério agiu rapidamente e controlou a hemorragia com o uso de ocitocina e massagem no útero.

Apesar de eu ter perdido bastante sangue, não foi necessário fazer uma transfusão. Tive alta no dia seguinte à noite! Saí do hospital com meu sonho realizado e com o maior presente que Deus poderia me dar. Foi a experiência mais incrível da minha vida!

HEMORRAGIA PÓS-PARTO
Segundo o Dr. @rogerio_g_lima, a hemorragia pós-parto é decorrente da atonia uterina (falta de contração no útero) e pode acontecer tanto em parto normal quanto em cesárea. A complicação é decorrente de alguns fatores, como trabalho de parto prolongado, excesso de líquido amniótico, gemelaridade, demora na dequitação placentária e até em caso que não tenha nenhuma dessas situações.

Isso pode acontecer em 18% dos partos. E é grave quando a perda de sangue compromete o sistema circulatório, causando desmaios e até a dificuldade de se locomover. A transfusão será indicada na presença desses sintomas. O tratamento imediato com medicações para contrair o útero e reposição de líquidos na maioria das vezes é o suficiente.